Arquivo para Textos e Críticas - Canato

João Rossi

im_ros_04É toda uma pintura construída dentro dos grandes arcabouços arquitetônicos:

síntese geométrica de grandes formas estruturais, formas básicas onde se inserem com grandeza e despojo os pigmentos e a farta matéria sensível do pincel de Canato. Sem dúvida, estou fazendo menção aqui de um muralista – um pintor de grandes espaços, necessários às práticas de comunicação de massas.

Sem dúvida alguma os artistas surgem, sempre, tendenciosos, Canato seguramente nasceu com a tendência da prática de comunicação de massa.

Moço, ainda chegou facilmente ao domínio total da FORMA, ou melhor do impacto da forma, deixando de manifesto nas suas comunicações visuais, a importância que imprime ás práticas pictóricas de percepção pura.

Percepção, forma e cor , forma – cor – matéria, são as ordens de grandeza das grandes sínteses figurativas de Canato.

Em cada operação visual do artista, nas micro e macro formas, sua eloqüência pictórica supera e transcende o problema dimensional dos suportes.

Possui um domínio total, farto, vertiginoso, impetuoso e violento. Canato pinta através de um gestual virtuoso, altamente perceptivo. É todo um mundo de formas que nascem e que gritam…

Sem dúvida o que há de mais interessante nessa expressiva personalidade é que ela ainda está acontecendo, diariamente acontecendo para o nosso deleite estético.

João Rossi
Pintor, gravador, ceramista e escultor, autodidata.

“O Corpo como Objeto Plástico”

jurioscardambrosio-internaO grande enigma da arte está em notar a capacidade técnica de um criador perante aquilo que ele se propõe a fazer. Visualizar a obra de Canato proporciona exatamente essa sensação. Está ali um pintor ciente de seu ofício, que trabalha o corpo humano não só como um ser físico, mas, acima de tudo, como objeto plástico.Os nus que coloca em suas telas, revelam o poder de feitura na tela. Cada obra está marcada por um processo mental que ultrapassa a sensualidade ou a sexualidade das imagens.O que se vê é um jogo de cores e de planos, em que a pintura nos fundos é feita de modo a não perder o foco daquilo que domina a centralidade visual: a mágica da anatomia, com suas infinitas possibilidades de expressão e de comunicação, numa espécie de teatro feito com pintura.As figuras de Canato estão justamente no tênue limite entre a prática cotidiana do fazer com perícia e a ascensão de sentimentos que cada imagem desperta. Saber utilizar jogos de luz é um desafio que precisa ser gradativamente dominado.Técnica, percepção da realidade aparente, consciência de que a pintura expressa uma visão de mundo, prática incessante e intensa disciplina são atributos presentes em Canato na sua atitude de mesclar a habilidade inata com o conhecimento adquirido na prática pictórica.O treinamento do olhar e a aprendizagem contínua geram um conjunto marcado pela habilidade desenvolvida ao longo dos anos no lidar com linhas, planos, massas, espaço, movimento e cor, num exercício que leva a uma maior capacidade de questionar o que se vê.Nascido em São Paulo, em 1965, formado em Artes Plásticas e Comunicação Visual pela Universidade Mackenzie, Canato, que freqüentou o atelier de João Rossi desenvolvendo pesquisas no âmbito da gravura e da aquarela, recebeu, em 2001, a Grande Medalha de Ouro no 52° Salão Paulista de Belas Artes, justamente pela apresentação de uma linha visual que toma o corpo como assunto para discutir o fazer da pintura.Seu objetivo é encontrar técnicas e poéticas que expressem a devoção ao corpo como uma materialidade a ser desvendada. O ato de construir as imagens na tela gera um questionamento sobre o próprio poder da arte de representar não só o corpo, mas qualquer imagem, emoção ou sentimento.Canato vê o corpo como ponto de partida de uma jornada que tem como chegada a sensibilidade. Ele nos transporta para uma realidade onde a pintura reina soberana em seu poder de dar a cada instante um valor único, visceral e pleno da sinceridade plástica que soma o talento à visão poética do mundo”.

 Oscar D’Ambrosio
Jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

Antonio Santoro Júnior

juriantoniosantorojunior-internaNa linguagem plástica tradicional, o traço, quando solicitado do interior do artista para expresser suas ideias, seja através do lapis, do pincel, ou do próprio gesto, esboça um diálogo de representação, documentação, alegoria ou simbologia com o espectador.

Esses diálogos serão efetivamente plásticos quando revelados pelo traço firme do artista…

Traço firme, bom traço, é uma qualidade plástica de Canato, perceptível em suas propostas, transparece como material, forma ou espírito, levando-mos a deveneios através de seus diálogos.

 

 

 

 

 

Antonio Santoro Júnior
Prof. de Estética e História da Arte
Crítico de Arte – Museólogo – Curador

Fabrício Brandão

“A arte do paulista Canato revela-se numa crença à mudança do

mundo através da sensibilidade, algo que simboliza o Sagrado

das coisas e as transcende. Desde 1984, o artista trabalha

profissionalmente, enfocando temas simbólicos e sociais. Guarda

em seu currículo uma vasta participação em exposições nacionais

e internacionais, tendo recebido premiações significativas pelo seu

trabalho. Merece especial atenção a representação do humano

em suas obras, cuja força é exprimida através dos apelos do Belo

em contornos, gestos e expressões que fidelizam os mais variados

sentimentos. Uma das influências marcantes de Canato está no vigor

da estética renascentista e barroca presente em muitas de suas telas,

característica reforçada pela ênfase lírica que a conjunção de signos

do corpo humano sugere. Em meio a uma vida intensamente dedicada

aos comandos da beleza, o artista soube construir sua obra com

personalidade, determinando seu próprio caminho.”

Fabrício Brandão
Editor Cultural da Revista Eletrônica Diversos Afins

Adriano Colangelo

adriano_colangelo1“A obra do Canato é extraordinária. É a tradução de uma arte universal, o resgate de uma manifestação verdadeira, uma forma educativa para o povo”

 

 

 

 

 

 

Adriano Colangelo
Artista plástico, ensaísta, conferencista, escritor, curador,
pesquisador e estudioso da obra artística de Leonardo Da Vinci.

Crônica de Arte para o Jornal de Piracicaba – 1999

(wanda_carneiro…)A trajetória estilística de Canato é prodigiosa, viaja por diferentes épocas e assuntos que fazem dele um pintor vigoroso e versátil, apaixonado pelo ser humano e pela vida com toda sua excentricidade.

Canato não pinta marinhas, nem tacho de cobre, nem Natureza morta. Ele pinta gente. Pinta o ser humano em glória e explendor na fase renascentista em pobreza e humildade na fase dos excluídos.

Canato se supera a si mesmo na decoração de tetos e paredes, numa riqueza de espiritualidade, numa perfeição de traços que embevecem os expectadores (…)

 

 

 

 

Wanda Carneiro
Escritora